“Gordo”, “Badoxa”, “Desleixado”, “Sem amor próprio”.
Quem nunca ouviu alguém ser adjetivado assim por ter excesso de peso ou obesidade? Todos nós já ouvimos. E, provavelmente, já fingimos não ouvir e seguimos com a nossa vida.
Quem nunca ouviu o “gordinho” ou a “gordinha” do grupo fazer piadas sobre si mesmo — só para não dar aos outros a oportunidade de o fazerem primeiro? Acontece muitas vezes.
A obesidade é uma doença crónica, com impacto profundo na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida. Embora o excesso de peso possa ter causas metabólicas, nem sempre é assim.
Por vezes, a origem está nas emoções: nas que reprimimos, nas que não sabemos reconhecer nem gerir. A comida transforma-se num refúgio, numa forma de apaziguar o que dói por dentro — o que muitos psicólogos chamam de “comer as emoções”, uma expressão que define bem a compulsão alimentar.
Todos nós já comemos um gelado ou um chocolate porque estávamos tristes, ou algo “menos saudável” quando estamos exaustos. E está tudo certo fazê-lo ocasionalmente. No entanto há quem perca o controlo — porque há emoções por gerir, feridas antigas que nunca sararam.
A diferença entre as feridas físicas e as emocionais é que as feridas emocionais não se veem e, por isso, são desvalorizadas.
A comida não é inimiga. Não existem alimentos bons ou maus — existem alimentos. E é possível ter uma relação saudável com todos eles.
Independentemente do número que aparece na balança, o mais importante é ter uma relação saudável com a comida, porque podemos viver sem álcool, sem tabaco, mas não podemos viver sem comer.
Lembrem-se: a obesidade é o que se vê, porém, muitas vezes, esconde feridas invisíveis que ainda precisam de cicatrizar.